sábado, junho 19, 2010

Além de chata, vuvuzela provoca danos à audição


Além de ser muito chata, a corneta que já virou marca registrada desta Copa do Mundo pode provocar sérios danos à audição, como alerta um estudo feito pela Universidade de Pretória, na África do Sul, e divulgado na “Newscientist”. O trabalho revela que a exposição prolongada ao som de uma única vuvuzela por mais de 22 segundos ultrapassa os limites permitidos em locais de trabalho. Não é difícil imaginar o impacto de um estádio lotado de cornetas e torcedores entusiasmados.

Os cientistas buscaram explicar também por que a corneta é tão chata. Experimentos com outras fontes barulhentas de ruídos mostram que os sons mais altos costumam ser mais irritantes. É que o ouvido humano funciona como um sistema de alerta precoce. Registramos mudanças súbitas nos sons que nos cercam porque eles podem representar ameaças e tendemos a nos acostumar quando se tornam constantes. Mas quando o ruído é tão alto quanto o de uma vuvuzela, no entanto, é impossível se habituar.


Mas não é só isso, segundo o artigo da Newscientist. A péssima qualidade dos tocadores de vuvuzela também contribui para a chatice. Tocada corretamente, explicam especialistas ouvidos pela revista, a corneta exige nada menos que 235 movimentos labiais por segundo e soa como um berrante.

Mas quando não é tocada da forma correta — ou seja, o que acontece com praticamente todos os torcedores —, as notas se tornam imperfeitas e a frequência varia. O que se ouve é algo similar a um grito de elefante. Um estádio lotado tocando (mal) ao mesmo tempo, no entanto, já produz um som diferente, mais parecido com o de uma nuvem de insetos. E este é mais um problema a tornar a corneta insuportável.

O som monótono, dizem os cientistas, faz com que a sinfonia dos jogos seja ainda mais chata. Com a altura, fica impossível de ignorar.

Por isso, o estudo sugere que os meios de comunicação façam um ajuste entre o quanto deve emitir o barulho da torcida e o som emitido pelos comentadores das partidas. A falta de controle sobre uma fonte de ruído aumenta a percepção de irritação por parte do público.

• REPORTAGEM PUBLICADA EM O GLOBO

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